I Conferência Nacional de Comunicação abre o debate sobre Política Pública de Comunicação
Claudia Correia
Estou na capital da democracia, apesar das tentativas de alguns em corromper, roubar, fraudar e burlar os mais caros princípios que devem reger as relações com a sociedade num verdadeiro Estado democrático de direitos. A cidade amanheceu fria mas, os debates da Confecom certamente vão esquentá-la.
O presidente Lula abriu ontem à noite, aqui em Brasília a inédita Confecom. Nunca antes na história deste país, em bom “lulês”, tanta gente, com tantos interesses conflitantes se reuniu para pensar uma política pública de comunicação que assegure a liberdade de imprensa, os direitos de cidadania para se ter acesso à informação de qualidade e a democratização dos conteúdos veiculados.
A tônica do discurso presidencial foi a imprensa livre, a necessária democratização da discussão sobre como conduzir a política de comunicação num país de dimensão continental onde convivem rádios comunitárias e grandes monopólios articulados internacionalmente. Comentou sobre as rádios comunitárias e a tendência em alguns casos ao aparelhamento por políticos tradicionais. A cobrança é grande porque um dos objetivos da Confecom é abrir espaço para a radiodifusão comunitária que vive em parte na clandestinidade.
Ele criticou a saída dos grandes empresários do setor, onde a Associação Nacional de Jornais-ANJ se inclui.Na verdade este grupo desde o início dos preparativos para a Confecom mostrou preocupação com o controle social sobre a política de comunicação alegando que este caminho é perigoso pois pode levar a uma censura. Sabemos bem a diferença, afinal a sociedade e os jornalistas conheceram de perto os horrores da tortura e da repressão na ditadura militar. Vladimir Herzoc e outros estão na nossa memória com sua luta em defesa de uma imprensa à serviço da democracia.
Ao contrário da maioria das teses da Confecom, que prega o controle social e público dos meios de comunicação, Lula disse ter "orgulho em dizer que a imprensa no Brasil é livre, apura e deixa de apurar o que quer, divulga e deixa de divulgar o que quer, opina e deixa de opinar quando quer." Destacou que o Estado de Direito só existe por causa dessa liberdade. Lula criticou o que chamou de "excesso" da imprensa, mas disse que o remédio é a própria liberdade. "Os telespectadores são capazes de separar o joio do trigo. São críticos implacáveis e juízes muito severos. Quem não trabalha com respeito acaba perdendo a credibilidade."
Cledson Cruz , portador de deficiência, que representa a sociedade civil e integra a delegação baiana na Confecom afirmou que o presidente “encheu linguiça” e que não espera muito de um ministro que praticamente é empregado da Rede Globo. Veio aqui disposto a participar dos debates como na etapa estadual e fazer valer as propostas aprovadas pelo movimento social.
Por enquanto o que mais me chamou atenção foi a mobilização social: cerca de 1.600 delegados de todo o país, representando todos os segmentos, 300 jornalistas na cobertura, 130 “observadores livres” , cidadãos que se inscreveram pela internet para participar como ouvintes. Uma mega estrutura foi montada e os debates prometem.
As mulheres vieram com plataforma de propostas pronta e afiada, vou divulgar no nosso próximo encontro. Vou dando notícia até quinta-feira.
Artigo escrito para o blog midiaequestaosocial
Claudia Correia, assistente social, jornalista, professora da ESSUCSal, Mestre em Planejamento Urbano.
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