De Reinaldo Azevedo, na Veja Online:
Lula sancionou nesta quarta a lei que amplia poderes do Ministério da Defesa e cria o Estado Maior Conjunto das Forças Armadas. A proposta estende à Marinha e à Aeronáutica prerrogativas de polícia que o Exército já tinha nas faixas de fronteira: fazer patrulhamento, efetuar prisões em flagrante e revistar pessoas e veículos. Em mais um de seus corriqueiros ataques de onipotência, afirmou que poderia “ter mandado uma emendinha [ao Congresso] para mais uns anos de mandato”.
Poderia mesmo? Depende! Nenhuma lei o impedia de enviar a emenda. Mas aí começariam os problemas, não é, companheiro? A “emendinha” a que ele se refere é uma emenda constitucional, que altera a Carta. Para ser aprovada, teria de contar com a aquiescência de três quintos da Câmara (308 deputados) e três quintos do Senado (49 senadores), em duas votações em cada Casa.
Lula nunca teve esse número no Senado para aprovar essa emenda, e ele sabe disso muito bem. E essa foi uma das barreiras que contiveram o seu apetite. Sabia que uma emenda como essa requereria a chamada “mobilização popular” — um “neoqueremismo” —, que se chocaria com a vontade majoritária do Senado. E a crise estaria instalada.
Mas não foi só isso, não! A maioria dos ministros do Supremo entendia que a emenda, ainda que aprovada pelo Congresso, seria INCONSTITUCIONAL. Para eles, mais de uma reeleição caracteriza uma agressão ao princípio da alternância de poder. Convenham: permitindo duas, por que não três, quatro, cinco, não é mesmo?
Não, não é verdade que teria bastado a Lula querer a (re)reeleição. Se não levasse uma ducha de água fria no Senado, teria sido barrado no Supremo. Não por acaso, o petista José Genoino, relator na CCJ da Câmara de uma emenda permitindo o terceiro mandato, encarregou-se de enterrá-la declarando a sua inconstitucionalidade. Os petistas resolveram fazer o que estavam certos que seria feito pelas instituições. São uns patriotas.
Ah, sim: na solenidade com os militares, Lula afirmou que, mais um ano no poder, e já os chamaria de “camaradas”. Pois é… “Camarada” é uma versão mais soviética do “companheiro”. É o tratamento tornado um clássico do comunismo. Ele deve ter achado a tirada engraçada
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