sábado, 18 de setembro de 2010

Brasil deve inspirar-se em Israel na área de inovação

De Clayton Netz, em O Estado de S.Paulo, reproduzido pela Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria:
O que um gigante como o Brasil, com 192 milhões de habitantes, tem a aprender com um país cuja população é de apenas 7 milhões, como Israel?
Muito, de acordo com o diretor da Câmara Brasil-Israel de Comércio e indústria, consultor e professor Paulo Feldmann, da Faculdade de Economia e Administração (FEA), da USP.
Feldman acredita que as empresas brasileiras (e o governo) deveriam inspirar-se na experiência israelense no trato da inovação para tornar-se players mundiais.
"Há alguma coisa errada", diz Feldmann.
"Falta-nos empreendedores e uma cultura voltada para a inovação."
Segundo ele, Israel gasta o triplo, em termos relativos, do que o Brasil em pesquisa & desenvolvimento: os US$10 bilhões aplicados anualmente representam 4,45% do produto interno bruto (PIB) israelense.
O Brasil desembolsa 60% mais (US$16 bilhões), ou apenas 1,09% do PIB.
"Mesmo em termos absolutos ficamos mal na foto, pois nossa economia, de US$1,5 trilhão, é sete vezes maior do que a de Israel", diz Feldmann.
Para complicar, há uma diferença essencial: 70% do investimento em P&D daquele país é bancado pelo setor privado.
Aqui, 80% dos gastos ficam por conta das estatais e de órgãos do governo.
Consequência natural é a diferença quanto ao número de patentes de produtos e serviços entre os dois países: em 2009, as empresas israelenses registraram 1.578 invenções, contra 480 das brasileiras.
"Embora em Israel seja o setor privado que inova, ele conta com estímulos, capital de risco e programas patrocinados pelo governo", diz Feldmann.
Resultado: enquanto apenas 45% das exportações brasileiras são de produtos industrializados, 60% das israelenses são consideradas de alto conteúdo tecnológico.
Internamente, acredita Feldmann, o baixo conteúdo de inovação, aliado ao déficit crônico da produtividade das empresas nacionais, se reflete no custo dos produtos fabricados internamente, quando comparados aos de outros países.
"Sem sombra de dúvida, vivemos numa das economias mais caras do mundo", afirma.

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