quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Quebra de sigilo de filha de Serra causa mal estar no Planalto

Leandro Colon - O Estado de S.Paulo:
O secretário-geral da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, afirmou ao Estado nesta quinta-feira, 2, que a sua demissão do cargo depende de uma decisão do ministro da Fazenda, Guido Mantega.
"O cargo pertence ao ministro Mantega, essa pergunta deve ser feita a ele", afirmou o secretário.
"Nós estamos navegando na crise. Não é uma crise administrativa, é política", disse.
Quando a reportagem perguntou se ele tomaria a iniciativa de entregar o cargo, Cartaxo pediu para desligar o telefone.
Causou profundo mal estar no Planalto a informação de que o comando da Receita Federal montou uma operação para abafar o escândalo da quebra de sigilo de tucanos e de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB, José Serra.
A operação, noticiada na edição desta quinta-feira, 2, do jornal O Estado de S. Paulo, teria o objetivo de evitar impacto político na campanha da candidata do PT, Dilma Rousseff.
A reportagem mostrou que a Receita suspeitou de fraude na violação do sigilo fiscal da filha de Serra,
mas mesmo assim montou uma operação para abafar o escândalo e evitar impacto político na campanha de Dilma.
Em meio ao discurso oficial, iniciado na noite de terça-feira, de que não havia irregularidade, o governo já sabia que a procuração usada para violar os dados de Verônica Serra poderia ser falsa.
Os novos documentos da investigação, a que o Estado teve acesso ontem, também provam que a Receita sabia desde o dia 20 de agosto que o sigilo fiscal de Verônica havia sido violado em setembro do ano passado.

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