De Alex Ferraz, na coluna Em Tempo, na Tribuna da Bahia:
Iniciei minha vida no jornalismo nesta Tribuna, em 1975, ainda estudante do então excelente Colégio Central. Vindo já de uma luta pela liberdade de expressão iniciada ainda aos 15 anos, no auge da ditadura militar e nas hostes do PCdoB (do qual me desliguei ao perceber que censuravam tanto quanto os militares), senti-me íntimo do ambiente corajoso e saudável encontrado nesta Redação - logo depois reforçado pelo genial e destemido João Ubaldo Ribeiro, que foi nosso redator chefe -, onde pessoas como o hoje deputado Emiliano José, os saudosos José Carlos Prata e Linalva Maria, entre outros, eram extremamente rigorosos na cobrança pela livre expressão dentro deste que sempre foi um jornal exemplar no respeito e na defesa das liberdades democráticas.
Pois bem. Hoje, fico pasmo diante do mutismo da maioria dos colegas jornalistas, aqui e em todo o restante do País, diante da censura imposta, por exemplo, ao jornal O Estado de S. Paulo, e que caminha para completar um ano, via Justiça, proibindo o jornal de falar sobre as denúncias contra a família de um dos últimos coroneis da política brasileira, José Sarney. Pior do que isso, os coleguinhas, inclusive aqueles que sofreram as torturas tenebrosas da ditadura militar sem poder bradar contra elas por causa da censura ferrenha, apóiam iniciativas que, a todo momento, tentam dar um golpe na liberdade de imprensa neste país, sempre disfarçadas de um difuso propósito (sic) de “lutar pela ética na informação”.
Bobagem, conversa pra boi dormir: tudo não passa de engabelação para controlar a informação. Mas, voltando aos coleguinhas, acho espantosa essa mudez e vergonhoso o apoio às tentativas de restabelecer a censura. Digo uma coisa mais: os senhores que se calam, e, portanto, consentem, e os senhores que apóiam e constroem o caminho para a volta da mordaça à imprensa estão acumulando dívidas para com a opinião pública que serão devidamente cobradas no momento certo. Juro me encarregarei
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