Da Veja Online
O candidato do PSDB à presidência da República, José Serra, participou neste sábado da gravação do programa de entrevistas Roda Viva, da TV Cultura, e reafirmou que não tem nem curiosidade pessoal para saber sobre o conteúdo e autoria dos dossiês que começaram a ser preparados pela “equipe de inteligência” da campanha da petista Dilma Rousseff. Ele classificou o conjunto de informações de “fajuto, errado e mentiroso”.
Serra também comentou o fato de dados sigilosos da Receita Federal sobre o vice-presidente executivo do PSDB, Eduardo Jorge, terem sido levantados pela equipe petista. “Uma coisa gravíssima foi feita que é quebrar o sigilo da Receita”, afirmou o tucano (leia aqui reportagem de VEJA desta semana, para assinantes).
O delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo Sousa compareceu na semana passada ao Senado, onde prestou depoimento sereno à Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso Nacional. Ele contou aos parlamentares detalhes da reunião com integrantes da pré-campanha presidencial da ex-ministra Dilma Rousseff na qual foi convidado a participar de um grupo que tinha o objetivo de espionar o candidato tucano José Serra, como revelou VEJA no início do mês.
José Serra cobrou novamente a candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, já que um membro da campanha petista, o jornalista Luiz Lanzetta, foi demitido depois que VEJA revelou encontros e conversas para levantar documentações. “A Dilma, não sei sabia ou não, mas ela é responsável”, afirmou. “Quando isso acontece, você reconhece que houve um problema e, no mínimo, pede desculpas.”
“Não tenho nem curiosidade pessoal”, afirmou. “Tenho uma vantagem que é esquecer”, complementou. Segundo o ex-governandor, como os adversários “fazem isso”(dossiês), eles esperam que “o outro faça também”.
Mantendo seu discurso desde o começo da pré-campanha, criticou o “troca-troca” político em nomeações. “Eu nunca permitiria indicações políticas nas agências e ficaria impassível diante da má administração dos Correios”, afirmou, em uma crítica indireta ao governo Lula, que discute troca de cargos nos Correios. “Não acredito que seja um ‘mal necessário’ fazer troca-troca político.”
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